Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

Proposta Metodológica de Treino das Capacidades Coordenativas no Guarda-Redes de Futebol

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As capacidades coordenativas conformam (isto é um consenso geral nas ciências do desporto) a base central a que nós hoje podemos denominar de inteligência motora, capacidade de aprendizagem, talento motor, predisposição para o desporto.

A coordenação é uma habilidade biomotora complexa, intimamente relacionada com a velocidade, a força, a resistência e a flexibilidade. É de extrema importância para a aquisição e o aperfeiçoamento da técnica, bem como aplicá-la em circunstâncias não familiares (Bompa, 1999).

A coordenação é a capacidade de um indivíduo alcançar objectivos motores de forma rápida, precisa, oportuna e económica, ou seja, é decidir de forma mais perfeita possível.

Dada a clara e inequívoca importância dos aspectos coordenativos e de agilidade num guarda-redes de futebol (tarefas ou acções abertas), será necessário contemplar estes na concepção e elaboração do treino específico de guarda-redes (GR), onde:

  • A variação das situações externas e materiais (bolas de diferentes tamanhos e peso, diferentes tipos de deslocamentos, inclusão de cones que obriguem a deslocamentos contrários antes do remate, inclusão de obstáculos, introdução da variável erro).
  • As tarefas propostas devem exaltar os pressupostos técnico-tácticos do GR, servindo estes de opções de resolução dos problemas apresentados.
  • As tarefas nunca devem perder de vista aquilo que são os comportamentos característicos do GR e das suas acções no jogo – transferência positiva.
  • Grau de complexidade crescente através da inclusão de um maior número de variáveis (acções estáticas para dinâmicas; acções de motricidade grossa para motricidade mais fina – recepção ou lançamento da bola apenas com uma mão; introdução de diferentes formas de deslocamentos – skippings à frente, atrás, lateral, baixo, médio, alto)

Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

A CRIATIVIDADE COMO ANÚNCIO DO SUCESSO DESPORTIVO


A incrível e inspiradora história do Panyee FC (http://www.youtube.com/watch?v=jU4oA3kkAWU), um dos clubes de jovens futebolistas de maior sucesso no sul da Tailândia, remonta à construção de um campo de futebol a partir de velhos pedaços de madeira e jangadas de pesca por um grupo de crianças, inspiradas pelo Mundial de Futebol de 1986. Enquanto jogavam numa estrutura flutuante, as crianças descalças tinham de se desviar dos pregos que despontavam em várias tábuas, correr numa superfície escorregadia e marcar em pequenas balizas, sendo forçadas a desenvolver habilidades e técnicas que acabariam por torná-las aptas a competir a nível nacional. Digna dum argumento da sétima arte, esta história remonta-nos para o desenvolvimento das habilidades e criatividade dos jogadores e os contextos em que estas se desenvolvem.

O pensamento criativo específico do jogo deliberado que se desenrola em becos, vielas ou num qualquer descampado, por oposição às habilidades analiticamente desenvolvidas em cativeiro, promove a recombinação de comportamentos e desenvolvimento de estratégias flexíveis (Pellegrini & Smith, 1998). Esta flexibilidade e criatividade acabam por se tornar importantes factores no desenvolvimento de atletas de elite, especialmente em modalidades com configurações colectivas (Côté, Baker, & Abernethy, 2003). Neste sentido, evidências recentes provenientes da neurociência sugerem que a criatividade se desenvolve cedo na vida e que as maiores melhorias na criatividade podem ser esperadas durante este tempo (Memmert, 2011).

Os resultados do estudo quasi experimental de Raab, Hamsen, Roth & Greco (2001) (cit in Memmert, Baker & Bertsch, 2010) indicam que as crianças brasileiras – com estímulos amplos e não guiados, bem como elevadas experiências de jogo – apresentam um crescimento consideravelmente superior em criatividade quando comparadas com crianças alemãs, que tinham recebido treino específico e alto grau de instrução em clubes desportivos.

Numa altura em que assistimos passivamente à proliferação de escolas e academias de futebol e onde todos os agentes (treinadores, directores, espectadores, …) exigem atletas criativos, uma maior atenção deverá ser prestada aos objectivos, orientações metodológicas e sua operacionalização nas etapas base da formação de jovens atletas. A castração que as formas analíticas promovem sobre a criatividade, reclama que esta seja devolvida ao seu habitat natural: o jogo!


Côté, J, Baker, J, & Abernethy, B (2003). From play to practice: A developmental framework for the acquisition of expertise in team sports. In: Expert performance in sports: advances in research on sport expertise. Eds: Starkes, J.L. and Ericsson, K.A. Champaign Ill. Human Kinetics. 89-110.
Memmert, D, Baker, J, & Bertsch, C (2010). Play and practice in the development of sport-specific creativity in team ball sports. High Ability Studies, 21: 1, 3-18.
Memmert, D (2011). Creativity, expertise, and attention: Exploring their development and their relationships. Journal of Sports Sciences, 29: 1, 93-102.
Pellegrini, AD, & Smith, PK (1998). Physical activity play: The nature and function of neglected aspect of play. Child Development, 69, 577-598.

Por: Ricardo Rebelo Gonçalves (passecurto@gmail.com)

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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Queixinhas

Nos periódicos da imprensa portuguesa, quer diária ou semanal, temos várias "figuras públicas" que expõe as suas opiniões e crónicas sobre o "seu" clube.

O que para mim, claro que não sou nenhuma figura pública, deveria ser uma outra visão sobre certos factos, jogadas aqui e ali, golos marcados ou sofridos, derrotas e vitórias, passa a ser encarado como um espaço de "defesa" dos seus clubes, dos seus dirigentes.

O velho jogo do diz-que-disse/diz-que-não-disse passa a preencher estas opiniões.
Ataques sobre o que a própria imprensa diz sobre um certo jogador, e essa "figura" vem defendê-lo com asas e aurélulas, apontando chifres e forquilhas a outros que cometem irregularidades que não são mediatizadas pelos média, principalmente quando se trata de factos que ocorreram há 5 anos (!) atrás (para não falar em mais). São exemplos que não se adequam a alguém que deveria ter-se como um líder de opinião, deixar essas conversas, esses joguinhos dos "dizeres" para os cafés, onde mais ninguém para além daquele grupo de amigos vai ter conhecimento, deixar aquelas picardias na mesa, e não incendiá-las para o país inteiro.

Esses "líderes" deveriam "ensinar" algo ao público em geral. pois o público sabido em nada deve acumular conhecimento daqueles, a não ser mecanismos de defesa de algo que em nada lhes é interessante, pois o futebol jogasse dentro de 4 linhas brancas num relvado, não em 4 paredes brancas que semanalmente se erguem nas discussões públicas.

Em última análise, relativamente ao pouco conhecimento adquirido destas "opiniões", basta entender uma simples frase que me foi dita por Victor Valente, actual treinador de guarda-redes da Burkina Faso:

"Toda agente tem opinião sobre o futebol. Muitos dos que escrevem nos jornais são doutores e advogados, e não gente que está/esteve dentro do futebol. Não se vêm jogadores a escrever sobre medicina e advocacia..."

Por:Marcelo Chagas


(publicação simultânea em osindromedechagas.blogspot.com)

Sábado, 3 de Abril de 2010

Terça-feira, 23 de Março de 2010

Crónica d'Chagas

"Notícias" e mentiras

O jornal Ojogo, no passado dia 13 de Março, publicava "notícias" sobre a falta de profissionalismo do jogador Ernesto Farías ao serviço do FC Porto, acusando-o até da inviabilidade da transferência de Kléber para o emblema da invicta.

Sim, "notícias". Alegadamente as divulgação feitas pelo jornal são falsas. E quem o diz é o Conselho de Administração da FC Porto – Futebol, SAD em comunicado tornado público no seu site oficial. Após este comunicado, o próprio Ernesto Farías comunicou no mesmo sítio que:


"Tendo em conta a capa de O Jogo do último sábado [dia 13 de Março de 2010] e o facto de o comunicado do Conselho de Administração da FC Porto – Futebol, SAD sobre o tema não ter justificado um desmentido categórico por parte do jornal, venho por este meio comunicar que instruí o advogado José Lourenço Pinto para avançar com uma acção judicial para reparação dos danos de imagem que a notícia acarretou."

É normal associar-se o jornal referido como um orgão "social do clube" (o que até já foi citado pelo presidente do FC Porto, Pinto da Costa), tal como os restantes jornais desportivos se associem aos "seus" clubes. Contudo, parece que a linha editorial (ou preferêncial) d'Ojogo mudou ligeiramente.

Claro que nenhum jornal é estritamente "cego" e rectilineo em função da preferência dos "donos do dinheiro", e cada um usa os seus estratagemas em benefício de quem lhes interessa.

Dois dias volvidos a fotografia de Jorge Jesus com a frase: "O FC Porto é secundário" fez a manchete do jornal Ojogo. Sim, (a olho-nu) esta frase refere-se à importância do jogo da final da taça da liga segundo a agenda do SL Benfica, que iria enfrentar o Ol Marselha. Mas depois destas divergências seria inevitável algum distanciamento do jornal em relação ao clube da invicta? É este talvez o grande problema de algum jornalismo português, o relato minucioso e conciso dos factos independentemente dos seus intervenientes.

Iremos ver posteriormente a ruptura entre o jornal e o clube? A resposta parece não ser muito difícil, no dia seguinte ao comunicado de Ernesto Farías, o jornal Ojogo publicou uma notícia, sobre o técnico dos sub-17 Pedro Emanuel, que foi tida como "uma mentira". E no ponto 3 do comunicado o FC Porto não deixou de salientar o seu carácter ameaçador:


"Esta falsidade surge na sequência de outra parangona infundada, acerca do atleta Ernesto Farías. Os Portistas saberão, seguramente, tirar conclusões sobre estas iniciativas e «filtrar» futuras notícias publicadas por este jornal."

Estas notícias falsas ou mentirosas podem, para além dos conflitos gerados com uma instituição, causar prejuízos nas receitas do jornal, pois alguém o há-de deixar de comprar. Contudo, alguém irá ter interesse nele.
Mas quem brinca com o fogo...


Marcelo Chagas

(publicação em simultâneo com osindromedechagas.blogspot.com)

Segunda-feira, 22 de Março de 2010

EAS - Coimbra / Reportagem Diário de Coimbra

Escrito por Ricardo Sousa
(entrevista ao coordenador-técnico Vítor Severino)

Miúdos aprendem a jogar na Academia do Sporting

Nas instalações do N10 da Pedrulha existe uma Escola Academia que é coordenada pelo emblema “leonino”, tal como acontece com as 26 restantes academias a nível nacional, e que segue uma rigorosa metodologia de treino. Uma escola em que os resultados são secundários, até porque o que interessa mesmo é a evolução do atleta

DIÁRIO DE COIMBRA (DC) Como é que começou este projecto?
VÍTOR SEVERINO (VS) A Escola Academia Sporting arrancou no N10, em Setembro, mas, na altura, ainda não era eu o coordenador-técnico. Eu assumi funções há cerca de um mês e meio, após a minha saída da Académica, onde estava a trabalhar com o Rui Silva no escalão de juvenis.

DC Como é que surge esta escola em Coimbra?
VS O Sporting a determinada altura sentiu necessidade de espalhar uma rede de escolas pelo país. Mas mais do que um conceito de “franchising” das escolas procurou fazer um trabalho coordenado directamente pelo próprio Sporting em termos técnicos. Leva a todas as escolas do país o mesmo método de treinos que é praticado em Alcochete. É o Sporting que coordena e faz a supervisão. Outro grande objectivo que o Sporting tem passa pela identificação de talentos e surgiu a necessidade de, em termos estratégicos, colocar também uma escola em Coimbra.

DC Isto é direccionado para jovens de que idades?
VS Estamos a falar de jovens desde os 6 anos (pré-escolas) até aos 15 anos (iniciados). Neste momento, temos 56 miúdos. Utilizam o campo exterior do Complexo Desportivo do N10. À excepção de algumas actividades, cada turma treina duas vezes por semana, mas num futuro próximo algumas turmas podem vir a treinar três vezes, até pelo crescimento que a escola tem tido.

DC O projecto é aberto a todos?
VS Está aberto para todos, mais aptos, menos aptos, rapazes ou raparigas, dentro das idades que mencionei, embora haja excepções, até porque temos alguns atletas com 16 anos. Cada jovem que vier para esta escola terá de pagar uma mensalidade e recebe no acto da inscrição o kit Sporting, até porque a imagem do clube tem de estar sempre bem patente no projecto. Tudo tem a imagem do Sporting.

DC Com 56 miúdos actualmente qual é o vosso objectivo?
VS A nossa pretensão é claramente duplicar o número, sem limite temporal. Agora, temos consciência de que quando as pessoas conhecerem o projecto mais profundamente o número irá aumentar.

DC A ideia é que estes jovens se possam tornar futuros jogadores do Sporting?
VS O objectivo é levar a metodologia de treino do Sporting, que é reconhecida mundialmente e aplicá-la a todos os jogadores. Porque o que fazemos aqui é um reflexo do que é feito na Academia do Sporting, em Alcochete, e em todas as Academias espalhadas no país, que no total são 27. É, por isso, que eles têm uma supervisão técnica muito próxima e sistemática.

DC Que metodologia é essa?
VS Parte logo de uma coisa que é o planeamento anual de conteúdos. Elaboramos à partida para cada escalão etário um plano anual de conteúdos com diversas vertentes: as acções técnico-tácticas a desenvolver em cada idade, entendimento dos princípios de jogo, ocupação racional do espaço e os momentos ideais para desenvolver as capacidades físico-coordenativas. Nada é feito ao acaso, está tudo planeado.

DC Mas eles, para já, limitam-se a treinar ou já competem?
VS Eles competem, embora não num quadro formal de competição. E isso parte da premissa do próprio Sporting. Os quadros competitivos formais em idades mais reduzidas funcionam, muitas vezes, como selecção natural. Seleccionam os mais aptos e acabam por “eliminar” aqueles que, momentaneamente, são os menos aptos. E aqui a palavra-chave é momentaneamente, porque estamos a falar de meninos ainda numa fase imatura. Eles estão num processo complexo de crescimento e maturação e aquele que hoje é menos apto, amanhã pode já não ser. O que nós pretendemos é que não haja pressões com um quadro competitivo formal. Fazemos torneio convívios com regularidade e há também uma liga interna entre as academias Sporting espalhadas pelo país. E não estamos preocupados em olhar para o resultado, mas sim naquilo que cada atleta pode fazer. E depois alguns vão ficando referenciados pelo próprio Sporting. De resto, até temos um caso desses com um menino de 11 anos. De qualquer modo, procuramos dar oportunidades a todos.

DC E o que é que acontece a um jovem que atingido a tal idade limite não seja escolhido para integrar as equipas do Sporting?
VS O que nós pretendemos, até porque vão existir casos desses, é dar-lhe o máximo de competências até aquela idade para que depois possa, eventualmente, integrar uma equipa de competição. É importante que adquira uma panóplia de ferramentas técnicas suportadas por princípios tácticos, que pode, por vezes, não ter num clube, onde, por vezes, pode desistir por falta de oportunidades. Aqui não, porque todos têm as mesmas oportunidades. O projecto está balizado para essas idades. Não temos aqui juniores, por exemplo.

DC E há atletas federados que optem por vir para aqui?
VS Sei que existem situações dessas noutras academias. Na nossa ainda não, mas é possível que tal aconteça. Nas outras academias o que acontece é isto: treinam à segunda e quarta na academia, à terça e quinta no clube e ao fim-de-semana jogam pelo clube. O Sporting permite que joguem por outros clubes, desde que não equipados à Sporting. Também já aconteceu alguns meninos terem deixado o clube onde estavam para integrar o nosso projecto. Experimentaram, os pais adoraram a metodologia de treino e o nosso projecto e acabaram por ficar connosco. Saíram de um clube de competição e integraram a nossa escola.

DC O facto de a escola não ter um carácter tão vincado em termos competitivos não pode afastar potenciais atletas?
VS Poderá retirar se as pessoas não conhecerem o projecto e os princípios que estão por detrás do projecto. Um pai que observe o treino e fale comigo com certeza que irá gostar da qualidade do treino. De facto, poderá retirar jogadores que queiram competição, uma vez que em Portugal preocupamo-nos muito com os resultados e pouco com as tarefas em si. E os projectos de formação que conheço direccionam-se mais para os resultados e para a “campeonite” e nós pretendemos colocar isso um pouco de lado. Queremos formar jogadores competentes, que entendam muito bem o jogo e tenham uma bagagem de gestos motores que lhes permita uma resposta adequada a uma situação prática de jogo.

DC As vertentes sociais e humanas não são esquecidas…
VS Esse é outro dos “standard’s” que valorizamos muito no Sporting. A questão dos princípios, dos valores básicos e do rendimento escolar. Aliás, nesse particular queremos arrancar em breve com um quadro de honra, que visa premiar os melhores alunos. O contacto com os pais é também fundamental para nós. DC Os pais terão um papel importante. No entanto, alguns não podem cair na tentação de ver nos filhos futuros craques?VS Essa é uma história interminável. O papel dos pais é fundamental. O que pretendemos é que não coloquem nos filhos as expectativas que eles próprios por vezes criam. E os pais dos nossos atletas já compreendem isso perfeitamente e aquilo que pretendemos dos miúdos. Se houver um torneio ou um convívio não queremos que eles dêem indicações. Eles têm boa vontade, mas é importante que no processo de treino ou de ensino o papel deles seja apenas o de motivar os filhos. Nós temos uma máxima: gostamos que os pais perguntem aos filhos, quando estes chegam de um jogo, se jogaram bem ou se fizeram as fintas que o treinador ensinou. Ou seja, centrar as coisas na tarefa e não no resultado.

Terça-feira, 16 de Março de 2010

Crónica d'Chagas

Psicologia dos Jovens Laterais
Há uns tempos para cá diversos clubes, até mesmos os que gastam “rios de euros” na aquisição de jogadores, têm dificuldades em adquirir laterais que dêem segurança defensiva ao plantel (não apenas titulares como os seus colegas que se sentam no banco)

Analisando agora os casos do FC Porto e SL Benfica verificamos esta situação. Destes, o campeão em título tem apostas ganhas e seguras para os sectores laterais da grande – área. Já o SL Benfica tem encontrado dificuldades, principalmente no lado esquerdo, tanto em jogadores que componham o 11 inicial como num dos outros 8 convocados.

Fábio Coentrão foi a solução arranjada por Jorge Jesus a posição de defesa esquerdo, não só para adaptação, como também sendo a opção principal em jogos mais “soltos”. O FC Porto tem como laterais indiscutíveis Fucile e Álvaro Pereira. Contudo, nos dois clubes, as 2as escolhas pecam por si só. Ultimamente tem saltado à vista Miguel Lopes.

Independentemente das escolhas serem certas ou erradas ou das exibições serem ou não convincentes, o que gostava de salientar é o trabalho dito psicológico dos dois técnicos (segundo a minha opinião claro), pois sendo dois jovens jogadores precisam de “redobrada” atenção.
No último Benfica – Paços de Ferreira enquanto a equipa encarnada festejava o tento da tranquilidade, foi possível assistir a um monumental puxam de orelhas ao lateral do Benfica, pois a exibição não estaria ao agrado do técnico benfiquista.

Posto isto, o jogador será, inevitavelmente atingido mentalmente. O ideal seria retira-lo de campo e senta-lo no banco de suplentes, o que poderia servir-lhe de lição, mas que certamente deixaria as suas marcas. Não foi este o caminho escolhido, foi sim, a opção pela entrada em campo de César Peixoto para o sector esquerdo (em detrimento de um avançado) e a subida de Coentrão para o ataque desse mesmo lado, onde é natural. Esse facto permite ao jogador, não só sentir-se melhor a nível posicional, como mental, ou seja, libertar-se da pressão dos erros cometidos anteriormente e jogar ao seu nível com a “cabeça no jogo”.



O caso de Miguel Lopes, lateral direito de origem, central contra o Arsenal. Contudo, segundo os tablóides, Fucile foi a ovelha negra deste jogo, e Lopes voltou à sua posição natural no encontro contra a Associação Académica de Coimbra “relegando” o jogador uruguaio para fora da convocatória.

Miguel Lopes está em evolução, e para isso precisa de espaço, liberdade para se afirmar. (E claro, este é só um ponto de vista) Perante estas necessidades, se Fucile estivesse no banco de suplentes, era natural que o jovem português tivesse medo que um erro seu o mandasse para fora de campo. Sem a pressão de ter o “dono” da posição na sua sombra no banco de suplentes foi-lhe concedida a tal liberdade e margem de erro que levaram certamente À sua afirmação na equipa portista.

Marcelo Chagas